domingo, 13 de dezembro de 2009

Don Corleone.

O agressor de Silvio Berlusconi não tem antecedentes criminais, mas indica "possíveis problemas mentais".


Revolta agora tem outro nome...


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ensaio sobre o futuro.


Creio que, pelo menos, nas últimas três décadas que antecederam a virada do milênio, vivemos as delícias de idealizar os anos 2000. Em todos os países, em todos os idiomas, em todos os degraus da pirâmide social, de norte a sul, dos olhos puxados ao país tropical, do hasta ao chucruti, de onde o sol nasce quadrado às margens do Mar Morto, de cima das corcovas dos camelos aos iglus, todos se perguntavam que diabos aconteceria com o mundo quando, no dia 31/12/1999, o relógio batesse a décima segunda badalada. Uns acreditavam no fim do mundo, outros tantos no Bug. Carros voadores, viagens de férias à Lua, máquina do tempo e do teletransporte, ser vizinho dos Jetsons, pouco importa, o fato é: todos, sem exceção, acreditávamos em alguma coisa, qualquer coisa, relativa ao início de um novo século e, principalmente, à virada do milênio. Mas, para os nascidos no aclamado ano de 1982, além de todas essas coletivas especulações, havia algo ainda mais relevante: completaríamos 18 anos no exato ano de 2000. Entraríamos o novo milênio com a maioridade. Iniciaríamos um novo século com carteira de habilitação no bolso e sem mais migué nos seguranças em porta de boate. Seríamos livres num mundo novo. Donos do próprio nariz numa outra dimensão. E tudo indicava um futuro promissor. Democracia no Brasil, unificação da Alemanha,  a informação, CD e DVD, o impeachment, a internet, o Tetra, o celular, a ovelha Dolly, o  movimento pop, enfim... tava tudo certo! Rumávamos à tempos inesquecíveis. O mundo era nosso. De ante-mão, o mundo era nosso por merecimento, afinal, nascemos em 82, faz as contas!! Sairíamos de um velho milênio, do qual não nos interessava mais, abandonaríamos uma fase do nosso desenvolvimento, da qual, também já não nos instigava interesse há alguns anos e atravessaríamos um portal sem direito a volta. (não que nos fosse dada essa opção. Mas mesmo que fosse!) Ai, ai... Contávam... Bom, EU, pelo menos, contava os dias. Que privilégio! Início de um século novo, virada pra outro milênio, maioridade. Cortaríamos o cordão umbilical da adolescência, da dependência e do passado. Seríamos testemunhas oculares de uma nova era. Entraríamos em dois mundos desconhecidos de uma só vez: o do futuro e o da maturidade. E nos sentíamos capazes!

(...)                                                                                                                                                       


No entanto, cá estamos nós, bebês de 82, crianças da década de 80, adolescentes da década de 90 e emancipados pela virada do milênio. E, prestes a adentrar o ano de 2010, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 2010, ainda não vimos o mundo acabar, não temos carros voadores (eu sequer tenho um com rodas!), a máquina do tempo, por enquanto, só nas ficções e as dúvidas em relação a veracidade da chegada do homem na Lua ainda pairam no ar. A cura da Aids ainda não foi revelada, a do câncer muito menos,  seres  tão humanos  quanto nós ainda comem nosso lixo, pessoas ainda são discriminadas pela raça, classe e preferência sexual, dinheiro público continua sendo desviado gerando fome e analfabetização, muito mais lixo no mundo do que ele é capaz de suportar, guerras por dinheiro, guerras por religião, guerras por drogas, guerras por guerras, aquecimento global, intolerância, violência, desamor. Nem Chapolin Colorado numa hora dessas pra nos defender. E maioridade vira sinônimo de orfandade. Ficamos órfãos dos nossos próprios sonhos. Caímos do cavalo. Balde de água fria. Brochamos. Orelha de burro. L de loser. Nos fudemos de verde-e-amarelo. Ficamos a ver navios. Desilusão, danço eu, dança você. Mas também pudera, ninguém nunca nos disse que não podíamos acreditar nos filmes de ficção e que o Dr. Brown era só um personagem inventado por mais uma dessas cabecinhas iludidas com os anos 2000. E pros nascidos em 82 uma dupla decepção, porque também nunca ninguém nos disse que ser adulto é um saco e que as contas chegam todos os meses, sem exceção!!! Devíamos tomar uma providência!

(...)

E que venham os anos 3000. Atcha! Bendito 1982 que não me permitirá chegar lá.

(...)

Mas pode ser que a qualquer momento alguém revele ter descoberto a fórmula de congelar humanos e fazê-los ressucitar anos mais tarde. Aí poderemos nos sujeitar a essa experiência inovadora e nos decepcionar mais uma vez com nossas próprias projeções!!!




(...)

Quem sabe, ainda há uma esperança!        

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quando a consciência nao vê.




Os botões do controle remoto brilham no escuro. Mas e se ninguém tiver olhando, eles continuam a brilhar? As árvores de Natal com seus pisca-piscas, as bolinhas de gás no refrigerante, os dentes-de-leão e as partículas de poeira boiando no ar, eles acontecem quando nenhum olho os observa, quando nenhum ouvido apurado capta seu som surdo, quando nenhum tato sente seu movimento, quando nenhum olfato sensível quase sente seu gosto, quando nenhum paladar percebe sua textura, quando nenhuma intuição o prevê????


Fico me perguntando às vezes se não é a consciência que torna as coisas reais. Se não houver uma mente consciente observando todas essas coisas, será que, ainda sim, elas continuam a sua ação? Os sorrisos das fotografias continuam incansáveis mesmo na escuridão da gaveta? A música das cachoeiras, os desenhos nas nuvens, as estrelas cadentes... só existem porque somos capazes de percebê-los, ou existem e simplesmente existem?????


E a respeito do amor? Continua o sendo mesmo que recluso? O amor ainda é amor mesmo se não posto em prática???


Essas palavras permanecerão aqui mesmo que ninguém nunca as leia??

domingo, 29 de novembro de 2009

Quero um amor maior.

Você sai. Conhece alguém. Encanta. Gosta. Recíproca. Então você se surpreende com a frequência, com a sintonia, com seu coração disparando, tão cedo! E você pede: "devolve meu coração pro bolso!" Ele não ouve, não vai ouvir. Ele gosta. A pele grita! Ele também faz tudo errado, como todos os outros. Mas a pele grita! E isso vocês ouvem. Juntos! Mas aí chega. A verdade. Que depois não é mais verdade. Virou mentira. Porque a verdade de verdade é outra. Bem outra.
Você conhecia alguém. Que já foi a pessoa da sua vida. E que não é mais. Definitivamente não mais. Por que? Ele sabe porque!

Cansei dessas relações vazias. Da falta de comprometimento. Do descaso. Da rejeição. Do desamor. Eu quero uma relação sincera, honesta, divertida. Porque eu não quero mais ser sozinha, não quero mais conhecer histórias pela metade, não quero mais cada dia um, não quero mais não ter um beijo de boa noite, não quero mais não fazer planos, não quero mais, não quero mais, não quero mais... E o mundo é muito diferente de mim. Eu quero namorar sim, porque eu já não sei o que é isso há muito tempo. Como alguém que viveu um relacionamento de anos que passou longe de um relacionamento que se preze, que se dá 100% e não aguenta mais metades, que, mesmo sabendo dos riscos, abre a guarda e não consegue ser feliz, que nunca pediu mais do que companheirismo, diversão, cinema e umas voltinhas de bike na lagoa, eu me dou todo o direito do mundo de dizer: QUEM NÃO TEM A MÍNIMA CAPACIDADE DE AMAR INCONDICIONALMENTE E A MÍNIMA CAPACIDADE DE ME FAZER FELIZ VÁ PRA P#$@V¨&##&*+!@#**. VÁ SER FELIZ NA CONCHINCHINA E ME DEIXA ENCONTRAR QUEM SAIBA.

Fase de eliminações.



P.S.1: Isso não é TPM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
P.S.2: Esse texto ficou cafona, clichê e o caralho, mas não tem como não ser!
P.S.3: Candidatos, munidos de currículo e carta de referência, favor falar com meu agente!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Despedidas me fazem chorar.




Nosso último suspiro deu-se na terça-feira da semana passada. Foi aquele chororô sem tamanho. Homenagens, declarações, tristeza misturada com muita, muita alegria. E o que fica foi tudo o que eu aprendi lá dentro. Muita bagagem profissional e pessoal eu tiro de lá. Pelas histórias maravilhosas que eu ouvi, pelos momentos incríveis dos quais fui testemunha ocular, pelos meus ídolos que se humanizaram diante de meus olhos e viraram amigos, pelas pessoas lindas que conheci, pelas pessoas que eu admirava e passei a amar, pela certeza da paixão que eu sinto pelo meu trabalho que só aumentou a cada dia, pelas guloseimas do buffet, pelos papos de camarim, pelas gargalhadas, pela admiração que conquistei, pelo prazer de vivienciar e pela dor da despedida, fui muito feliz cada minuto.
Palavras sempre faltam nessa hora, mas Cininha deu conta de publicar um texto maravilhoso em seu blog, sem se esquecer de ninguém, e que eu faço questão de compartilhar:

http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=17&postId=19929&permalink=true

Prefiro acreditar num fechamento de ciclo que dará lugar a uma nova fase.
Agradecida ao universo que conspirou para que eu fizesse parte desse "time" do primeiríssimo ao último dia.

Um beijo muito carinhoso, fiquem com Deus e até breve.

Tati Pasquali (Bozena)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Enquanto




Espera a noite chegar
Espera a pupila abrir
Espera o telefone tocar
Silêncio
Espera o frio abrandar
Espera o ano virar
Espera a fila andar
Espera as regras chegarem
Ufa!
Espera que ele se decida
Espera pra arrancar
Espera a tinta secar
Fresca
Espera que ela tome juízo
Espera na sala de espera
Espera revelar
O filme
Espera a voz voltar
Espera a chuva passar
Espera o leite azedar
Coalho
Espera cortar o bolo
Espera a sopa esfriar
Espera o cabelo crescer
Espera pra falar
Levanta o dedo
Espera o sol baixar
Espera o dente cair
Espera cicatrizar
Ferida
Espera fazer 18
Espera o enjôo passar
Espera bebê chegar
Espera o dia amanhecer
De olhos abertos
Espera a água esquentar
Espera o ônibus passar
Espera o tempo curar
Demora
Espera a roupa secar
Espera o dia chegar
Espera o dinheiro entrar
Espera a vontade ir embora
Ou mata
Espera a flor abrir
Espera a onda bater
Espera o prato chegar
Espera a fruta madurar
Amarra
Espera pra esquecer
Espera pra lembrar
Espera um ruído
Surdo


Vive.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Era uma casa muito engraçada...


Me lembro quando era apenas a casca. Os móveis aos poucos se encaixando. Minha pequenina irmã no moisés, com seus olhinhos curiosos. Uma dor de barriga, vontade de fazer lolinho, mas como era tudo novo eu tinha medo da descarga não funcionar. Tijolinho à vista. Um quarto pros meninos, outro pras meninas. Um erro na instalação da fiação elétrica fez com que o interruptor do quarto dos meninos acendesse a luz do quarto das meninas e vice-versa. Uma suíte pros pais. Uma churrasqueira nos fundos. Quintal, sombreiro. Ao lado um terreno baldio, que anos mais tarde deu lugar a um sobrado enorme. Na frente uma pousada, que a cada temporada vinham pessoas diferentes, de todos os lugares. Nós todos crianças. Irmãos, primos, tios, avó, amigos e casa sempre cheia. Depois do almoço era a vez das crianças lavar, secar e guardar a louça. Geladinho no congelador pras crianças e cerveja pros adultos. Jogos de cartas. Verões, carnavais, feriados. Minha irmã no andador. Que um dia, por descuido, caiu do degrau e bateu o rostinho no chão, ficando com o dentinho de leite da frente preto, até trocar pelo permanente. A tv nem sempre ajudava. Enquanto todos ficavam na frente da tv, um de nós ia até a antena do lado de fora e girava prum lado, girava pro outro. E de dentro da casa vozes gritavam: “Volta! Aí, aí. Ta bom. Não, não. Pra esquerda!” até que a imagem voltasse a ficar nítida. Revistas em quadrinhos. Meu irmão, muito anti-social*, não saía de casa, não pisava na areia. Um dia minha prima mais velha chega na sala com um lençol molhado dizendo: “quem fez xixi na cama?” Ninguém se acusa, até que descobre-se o autor.

Eu, na praia, ainda muito criança, enquanto todos falavam: “tira a parte de cima do biquíni, você ainda não precisa!” e eu teimava em usar. Onde já se viu, ficar sem a parte de cima. Mas moleca que só eu, só me dava conta que a “cortininha” tava quase no pescoço, no meio do peito, deixando aparecer o peitinho, quando riam de mim. Muitos banhos na piscina de plástico. Muitos Reveillons com a casa cheia e mesa farta. Bateria de fogos de artifício. Muitos carnavais no Bier Halley com as primas e a tia, que fazia questão de nos arrumar. Puxava todo o cabelo num rabo lateral, nos deixando quase japonesas. Desenhos e purpurina no rosto. Fantasias. Havaiana era a preferida. Brincadeiras de esconde-esconde, onde, uma certa vez, brincando de se esconder no carro, minha prima fechou minha mão na porta, me deixando com dois dedos estourados e, assim, me agradando o resto da temporada para que eu a perdoasse pelo acidente. Algumas intoxicações alimentares, algumas insolações, tratadas a maisena. Quedas da rede, que nossas mães cansaram de avisar que não era balanço. Quartos e salas amontoados de gente pra dormir. Pernilongo. Muito pernilongo.

Medo e gritaria quando aparecia alguma pererequinha dentro de casa. Passeios no centro a noite pra tomar sorvete e jogar fliperama. O trenzinho que passeava pela cidade com as crianças e gente vestida de bicho. Raspadinha de groselha. Brincadeiras na carroceria da Pampa do meu pai, onde eu dei conta de rasgar três calcinhas na hora de descer, no mesmo dia, porque o ganchinho da lona agarrava no shortinho. Joelhos ralados por conta dos caixotes no mar um pouco nervoso, mas de água morna. Alguns quase-afogamentos, evitados por algum adulto. Castelinhos, buracos, vez de enterrar quem? Caramujos, sirizinhos, conchas e estrelas do mar. Pé com piche. Patins, skate, bicicleta, bola, frescobol, bet’s, cachorro. Quando chegaram os namorados era no quarto dos meninos que eles dormiam. E a casa passou a não ficar tão cheia. No freezer nada de geladinho, só cerveja mesmo. A notícia da morte da Cássia Eller, na tv, ao vivo. “Mãe, empresta a chave do carro!” As crianças já tiveram crianças, as idas até lá cada vez mais raras.

Não tenho nenhuma passagem por lá nos últimos anos, mas guardo com carinho e saudade cada uma das minhas lembranças. Que são muitas. Na nossa casa de praia. Esse ano vou até lá. É uma promessa!



Ando me sentindo sozinha. Ando me sentindo nostálgica. Ando sentindo saudades. 







Que tempo bom que não volta nunca mais...  







* Não gosto da nova norma da língua portuguesa. Prefiro assim.