quarta-feira, 13 de julho de 2011

À Procura da Felicidade.



Dinheiro. Carreira. Família. Casamento. Viagens. Propriedades. Paixões. Poesias. Drogas. 

A felicidade não é durável. Independe de status. De sexo. Ou dele. Numa grande metrópole ou no micro interior do Velho Continente. Ou quem sabe more nisso tudo ao mesmo. Pra uns é isso. Pra outros nem isso. Essa paroxítona é apenas um estado de espírito. Que pode ou não durar pouco ou muito. Enquanto se espera que ela venha ela já veio há muito. Ou nem tanto. Ou por pouco passou e não ficou. Ou se instalou. E quem sentiu? E quem viu? E quem se apropriou? A grande graça é que ela não é palpável, nem eterna e não tem segredo. A felicidade às vezes mora numa panela de brigadeiro. Ou num domingo de chuva. Ou na favela. Ou na piscina do Tio Patinhas. Ou no longe. Mas ela mora. E se mora. Vai que demora. Felicidade? 5 sílabas. 10 letras. Com tradução pra todas as línguas. Mas e o que mais? Mais nada. É só uma palavra entre milhões. Felicidade sou eu pra alguns. Ou pra nenhuns. A felicidade não existe. A gente é quem insiste. Deixemos a pobre da felicidade em paz. E vamos nos divertir. Numa dessas ela aparece. Ouvi dizer que adora uma farra. Uma fala. Uma farsa. Um brinde à felicidade. Ela está cagando pra gente. A gente é quem precisa da safada. Então tratemos-na muito bem obrigada. E ai dela se reclamar que não é feliz!!



terça-feira, 28 de junho de 2011

Canção de Despedida.



Ela não quis pegar um taxi e saiu andando pela rua vazia.

Ele não conseguiu se levantar do sofá.

Ela chorou sem se lembrar que a maquiagem não era à prova d’água.

Ele abriu uma cerveja.

Ela foi dormir no abraço da melhor amiga.

Ele saiu e encheu a cara de mulheres.

Ela comprou roupas novas.

Ele deixou um recado na secretária pedindo sua escova de dentes.

Ela adotou um gato.

Ele foi visitar a mãe.

Ela se desfez dos cds do Burt Bacharah.

Ele ainda não lavou o copo com marca de batom.

Ela chora todas as noites antes de dormir.

Ele aprendeu a jogar sinuca.

Ela criou um blog.

Ele começou a namorar.

Ela deixou o cabelo crescer e pintou de loiro.

Ele nunca tirou a barba.

Ela se apaixonou.

Ele terminou.

Ela se casou.

Ele começou a fumar.

Ela teve gêmeos.

Ele ainda mora no mesmo apê.

Ela se divorciou.

Ele comprou um carro novo.

Ela parou no meio da faixa de pedestres. Ele baixou o vidro. Ela teve a impressão de conhecer aquele rosto, apesar da barba recém-feita. Ele teve a impressão de conhecer aquele olhar, apesar dos anos. O sinal abriu. Os carros buzinaram. O celular dela tocou na bolsa. Ele esbarrou no limpador do para-brisa. O sinal já estava amarelo novamente quando ele decidiu arrancar e ela terminou de atravessar a rua. Foi só uma impressão.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um amor de Maria.



Diz ela que me viu de amarelo e me achou linda. Pouco antes de sumir por alguns anos. Voltou num carnaval. Claro, não podia ser num outro momento senão num carnaval. A cidade em festa para recebê-la. E meu coração em festa por re-conhecê-la. Passaram-se dias, semanas, meses, 1 ano. Mais um carnaval chegou e junto com ele uma asa. Duas asas. A direita de proteção. A esquerda de anjo. E uma porta. Que se abriu pra mim. E eu entrei. Timidamente, antes de servir o primeiro drink. E já no segundo trocávamos confissões falando do passado, do presente e do futuro. Mas muito mais do presente. Ela me contou histórias sobre a realeza. Me deu de provar a certeza. E me mostrou a minha beleza. Que eu não tinha. Não pra mim. Ela sabe bem de cozinha, mas por enquanto eu tento afastá-la do liquidificador. Ela conhece o Frank. Ela canta. Agudo como eu sonharia se ousasse. Ela já viu o mundo. Ouviu um mundo. Viveu vários mundos. Dispensa a legenda. Pergunta pro Google. Conversa com a esposa do Tristão. E tristeza pra ela vem disfarçada de mau-humor que logo vai embora. Faz festa por onde passa. Então fica fácil entender porque o mundo a quer por perto. Uns diriam que é por causa dos seus cabelos. Lindos. Que escorregam sobre os ombros. Outros diriam que são os olhos que tem a mesma cor dos cabelos. Outros ainda pensariam que é o sorriso que combina com os olhos, que, por sua vez, combinam com os cabelos. Eu diria que é dedo mindinho do pé. Do pé esquerdo. Ele combina com o sorriso. E assim nada falta. Outro dia ela me pediu que a acordasse tal hora. Não pude deixar de reparar nos cílios que pareciam que dariam um nó em si mesmos. Eu podia imaginar onde moram seus sonhos. Mas isso eu não conto nem pra ela. Desconheço a razão, o motivo e o porquê. Só posso dizer que amor só pode ser o que é. Quando bate a gente aceita. Não tem jeito. E amor só pode ser algo que só pode ser parecido com isso que sinto por Maria. Minha amiga. Beloca Maria.  



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Não carregue o mundo sobre os seus ombros.



Se responsabilizar. Se comprometer. Se apropriar das neuroses alheias e dos problemas do mundo. Por que isso me soa tão familiar?

Se aquela paixão não virou namoro, não precisa significar que você não é uma pessoa cheia de predicados. Pode ser que ele se envolveu um pouco e teve medo de se aprofundar. Ou então que ele ainda tem uma história pendente com alguma ex piranha. Afinal todo mundo tem questões. Ou então ele é cego ou burro e não se deu conta do quanto está perdendo. E quem sabe talvez não tenha sido assim porque em breve você vai conhecer outra pessoa. E mais outra. E mais outra. E de repente parar numa outra. Numa que realmente valha a pena!

Uma amiga da época da escola. Amiga das melhores. Um dia some. Simplesmente passa a te ignorar. Durante anos você se pergunta o que fez de errado. O que falou de errado. Aonde agiu errado. E a resposta nunca surge. E você insiste na pergunta. Mais um ano. Mais um. Até que. Eureca! Muito provavelmente é uma questão dela. E só dela. Você já se torturou muito e não há mais como não pensar que isso tudo só pode ser coisa da cabeça dela. Sabe Deus por que. E se ela não externa você nunca vai saber. Não tente entender. Ela que fique lá com os problemas dela porque os seus já são muitos.

A mina te odeia. Morre de ciúmes de você. O namorado dela mal fala com você porque ela quer se jogar pela janela abaixo porque acha que você dá mole pro dito cujo. Você também se questiona. Se policia. Mas tem certeza absoluta de que nada fez que justificasse os ciúmes. Até porque nunca lhe passou pela cabeça aquendar o bofe. E você sabe que ele é louco por ela. Ou seja: a insegurança é dela. E o problema também.

Os 30 já estão próximos. E nada de conseguir ganhar dinheiro. Guardar nem pensar. Poupança. Carro. Casa própria. Nada. Até pra comprar um tênis é difícil. Incompetência sua? Vagabundagem? Anjo. Nós vivemos num país onde 40% do que ganhamos vai pra impostos. Ou seja, 5 meses de trabalho pesado pra entregar a grana integral pro governo. Que por sua vez não nos dá nem mesmo uma saúde pública decente então somos obrigados a pagar um plano de saúde. E por aí vai. A culpa é mais do seu país do que sua. Vai por mim. E por falar em culpa. Taí uma palavra que tem que ser usada com moderação. Muita moderação.

Se você teve um problema e alguém não entendeu nem perdoou sua ausência. Se você foi passional e agiu na emoção. Se você é dessas que chora quando tem vontade de chorar. Se você prefere carne à peixe. Se você gosta de sertanejo. Se você engordou dois quilos. Se você se apaixonou pelo canalha. Se você vomitou no táxi. E alguém não entendeu, o problema não é seu. É da pessoa que não alcançou.

Isso tudo entre outras coisas. Menores ou maiores. Só nos leva à um lugar: dar importância ao que realmente é importante. Se livrar das culpas que nem deveriam existir. Não tente carregar o mundo nas costas. Ele é pesado demais pra nossos pequenos ombros humanos.  

(À todas as Jude´s).


sexta-feira, 20 de maio de 2011

About my Love.


O meu amor é amor demais.
O meu amor vem e nunca mais vai.
O meu amor tem o tamanho do meu amor. O que é bastante.
O meu amor é caro, raro e claro.
O meu amor é tão bonito como tão bonito pode ser um dia azul.
O meu amor não bate na porta. Não recebeu educação.
O meu amor canta, grita e roda na roda gigante.
O meu amor é fagulha, que vira brasa e acontece fogueira.
O meu amor é pretérito do imperfeito. E futuro. Muito futuro.
O meu amor é amor que ama o amor.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conclusões amorosas geminianas.


E ela desceu do carro preto com seu vestido branco e cruzou o tapete vermelho diante de centenas de olhos admirados. Do céu nem uma só gota. Nem estrela também. Porque os astros decidiram que naquela noite apenas ela brilharia.

Romanticamente, ao assistir meus amigos subirem ao altar, meus pequenos olhinhos brilharam, se encherem de água e eu idealizei o dia que seria o dia mais feliz da minha vida. Quando eu tropeçaria no homem que me faria a pessoa mais feliz do mundo, me levaria pra conhecer o leste europeu e me daria 3 filhos e um casal de Golden Retriever. Me traria café da manhã na cama. Repetiria todos os dias no meu ouvido o quão especial eu sou eu. E faria meu peito explodir cada vez que dissesse que me ama.

Corta para.

Eu. No cinema. Assistindo o filme nacional “Amor?”

São relatos reais - interpretados por atores - de histórias de amor e violência. Fiquei chocada ao perceber a linha tênue que separa o amor do ódio. Que por muito pouco. Em questão de segundos você pode perder o controle. Quase sem querer. Acabar com tudo. Ou ver o seu amado se transtornar em algo que você jamais imaginou que pudesse sair de dentro dele. E também acabar com tudo. E tudo virar nada.

Eu, heim. Nunca mais vou me apaixonar. Digo até que amo, Mas me apaixonar JAMÉ. 

Me economiza, Deus!!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Saudades de Deus.


E pensar que Ele morava em muitas e em todas as coisas mais simples. Na água gelada da bica do parque. Na grama branca de geada pela manhã. No canto do sabiá todos os dias na mesma hora. No sorvete de chocolate com coca-cola. Na árvore de Natal. A medida em que fui ganhando altura e idade desentendi as coisas pequenas. E passei a procurá-Lo nas coisas maiores. Na metrópole que não para. No mar que eu tenho medo. E Ele passou a não me fazer mais companhia nos minutos que antecedem meu sono. Com as mãos juntas, olhos fechados e muita fé. Quantas vezes devo ter dormido antes mesmo de dizer o Amém. Sem ser condenada por isso. E agora. Eu não o encontro nas coisas grandes. Porque as coisas pequenas essas já não existem mais. 

Me lembro de ler num romance onde a protagonista é uma menina de 6 anos, muito doente e prestes a morrer. Um anjinho vem lhe fazer companhia nos seus últimos dias e os dois decidem trocar sensações e informações sobre ser humano e ser anjo. Foi onde eu tive a melhor explicação sobre a história de Adão e Eva:

“Quando Deus criou Adão e Eva, eles eram crianças curiosas que trepavam às árvores e corriam pelo jardim do Paraíso que tinha sido acabado de criar. Não faria qualquer sentido possuir um amplo jardim, se as crianças não pudessem brincar lá. A serpente convenceu-os, então, a comer frutos da árvore da Sabedoria e eles começaram a crescer. Quanto mais comiam, mais adultos se tornavam. Foi assim que, gradualmente, eles foram expulsos do paraíso da infância. Aqueles marotos estavam tão sedentos de sabedoria que acabaram por abandonar o paraíso.”

O paraíso era o simples. O não questionado. O acreditável. A brincadeira. O pequeno. E talvez a ignorância.

 Era isso. Simples assim. Deus existe na infância. E hoje eu tenho saudades de Deus.