terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Ditadura do Amor



Amar virou fácil. Se fosse mais magro, menos alto, mais falante. Ama o corpo e odeia os hábitos. Gosta do hálito, mas a saia é muito curta. E devolve meu coração, que ele bate num ritmo diferente da batida da pista. Apenas seja feliz comigo.

Não fume. Não cante fora do tom. Desça do salto. Devolve a cópia da minha chave. Fale menos. Sorria menos. Ganhe mais. Solte os cabelos. Não me prenda. Use os talheres de fora pra dentro. Ouça mais ópera. Veja menos novela. Sonhe mais. Pense menos. E seja feliz comigo.

As coisas não são assim. Frango só assado. Coloca o cinto de segurança. Controle o remoto. Salgue menos a comida que eu adoço a bebida enquanto a gente escolhe o nome do cachorro. Vermelho não lhe cai bem. Liga o ar condicionado no máximo. Fecha a janela e abre meu zíper. E seja feliz comigo.

Monte seu guarda-roupas e desmonte essa cara. Lave a louça de ontem. Não bata o cigarro no chão. Ligue a seta e mantenha a esquerda. Endireita o colarinho. Beba. Me coma. Não esquece meu presente. Não fale com estranhos. E seja feliz comigo.

Não com os outros. Não na dispensa. Não na rua. Às vezes no elevador. Nunca na varanda. Muito menos em rede nacional. Apenas comigo. No domingo. Seja feliz comigo.




Um comentário:

  1. só existe uma ditadura maior, a ditadura da saudade...

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