domingo, 25 de outubro de 2009

Duas histórias alheias. Um sentimento meu.

: : Desde que iniciei esse blog, me apareceu uma pessoa que sempre lê as bobagens que escrevo. Um dia ela me adicionou no orkut dizendo ser uma fã do BlogSarau. Não aceito pessoas que não conheço. Mas tive curiosidade e decidi manter por perto aquela pessoa, que de cara me pareceu tão genuína quanto sensível. Ela nunca deixou comentários aqui, sempre preferiu me deixar depoimentos, o que me fez pedir que ela deixasse seus recados no blog, pra que todos possam ler, visto que seus comentários são sempre tocantes. Ela então me pediu para adicioná-la no MSN. E só essa semana conseguimos conversar um pouco, devido aos nossos desencontros. Depois de algumas linhas de conversa ela inicia o assunto (vou tentar reproduzir da forma como lembro):
Ela: Você vai com frequência à Curitiba?
Eu: Sim, duas ou três vezes ao ano. E você? (ela é de Santa Catarina e também mora no Rio)
Ela: Na verdade faz pouco tempo que voltei, passei por uma barra muito pesada, precisei ficar lá por algum tempo, perto dos amigos e da família pra me recuperar físico e emocionalmente. Estou retomando minha vida e meu trabalho aos poucos.
Eu: Vixi. Aposto que foi desilusão amorosa!
Ela: Se fosse isso teria sido muito mais fácil me recuperar. Foi mais grave. Logo depois do Carnaval eu sofri um acidente de carro com minha mulher. Ela não resistiu. E eu escapei por muito pouco.

(...)

Mais um daqueles momentos em que as letras não formam palavras e as palavras não formam frases.

(...)

Admiro quem consegue sobreviver à essas rateiras da vida. Não deve ser fácil levantar e continuar andando. Também não deve ser nada fácil querer continuar. A vontade de viver deve nos escapar às vezes...

(...)

Fazem alguns minutos que eu tô tentando escrever algo mais, mas realmente as palavras nao vêm...
Sinto muito...

(...)

: : Também acompanhei de perto o caso do acrobata da Intrépida Trupe, visto que meu professor, e amigo, de acrobacia é da Intrépida. Por telefone ele me relatou como foi enfiar o pé na porta da casa do rapaz e encontrá-lo daquela forma.

(...)

Desculpe, meu amigo, por não poder te falar nada que realmente lhe fosse confortante. Desculpe minha falha. Desculpe minha impotência. Mas se você assim quiser, podemos ir novamente até a Pedra Bonita e, dessa vez, saltar de asa delta e ver se lá de cima conseguimos vê-lo fazendo piruetas em alguma nuvem.

(...)

Eu nunca perdi alguém tão próximo. Eu desconheço a sensação de querer pegar o telefone e ligar pra pessoa pra falar qualquer bobagem, pra contar qualquer coisa, ou só pra desejar bom dia, e não poder fazer isso porque do outro lado da linha ninguém vai atender.

(...)

Mas eu agradeço por vocês terem dividido comigo suas histórias. Histórias essas longe de terem finais felizes. Mas que, de alguma forma, ativaram um botãozinho em mim, até então esquecido.
Nós, mortais, não podemos prever quando algo como isso acontecerá em nossas vidas e, muito menos, podemos evitar tais coisas. Nosso corpo é frágil e tem data de validade. Amanhã pode ser eu. Amanhã pode ser alguém importante pra mim. Alguém realmente importante. E eu peço desculpas a mim mesma por ter desperdiçado tanto tempo e tanta energia com o que não me era saudável. Com o que não me fazia feliz.  Com o que não servia pra mim. O meu tempo é curto. Minha vida não vai durar pra sempre. E nada do que eu posso tocar eu vou levar comigo. Ás vezes eu sinto saudade de mim mesma. Hora de cuidar do que vem dentro. Do coração à alma. Da consciência ao amor. Hora de dar importância ao que realmente é importante. Pra mim. Pra minha família. Pros meus amigos.
Eu estou aqui. Pra vocês. Pra nós. Por pouco tempo, eu sei, mas eu estou aqui.

(...)




Cansei de ser triste...                                 

(...)





(Podia ter sido ontem. Quase botei fogo na casa porque esqueci a chaleira no fogo. A chaleira derreteu. Graças ao elemento Ar do meu signo, eu sentia o cheiro de queimado e achava que não era comigo. Hahahahaha. Tem coisas que só eu mesmo. Bate na madeira três vezes. Knoc. Knoc. Knoc.)

 

2 comentários:

  1. Ahhh quem dera que na vida td fossem rosas, mas existem as tempestades. E são essas tormentas que nos transformam! São elas que nos fazem ser quem no futuro devemos ser. É ela que opera em nós as melhorias que precisamos, e encarando o sofrimento que muitas vezes deixamos de sofrer. Fácil, claro q não é... mas é o teu caminho que está em jogo: é a tua vida que está pausada, parada num lugar de dor porque você se recusa a dar mais um passo. Então, se decidir continuar caminhando, chegue ao final com o maior orgulho que uma pessoa pode ter: O DE TER TENTADO :)
    Bjs a todos q de alguma forma como eu, foram tocados pelos textos desta menina sensivel e intensa, Chamada TATI PASQUALI !!!

    ResponderExcluir